quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Consulte o Chef Alicio Charoth

Vai abrir um Restaurante, um Bar uma Cafeteria ou um Evento?
Já tem um consultor?, Podemos te ajudar!

Segundo a pesquisa, de um total de 464.700 empresas que iniciaram suas atividades em 2007, 76,1% continuavam no mercado em 2008, 61,3% sobreviveram até 2009 e apenas 51,8% ainda estavam abertas em 2010, ou seja, quase a metade (48,2%) fechou as portas.
Muito do fracasso destas pequenas empresas, passa por um mal assessoramento na hora de criar os conceitos necessários para que sua empresa, seja bem gerida, tenho visto muitos casos de pessoas despreparadas, fazendo consultoria, e o resultado não é nada bom.
“O sucesso está em um tripé de atendimento, cardápio e ambiente excepcionais”, diz. Veja essa e outras dicas do empresário para quem quer abrir um restaurante de sucesso.


Agendem sem compromisso uma entrevista, quem sabe te damos as melhores informações sobre este tema, consultoria para seu evento. 
Nós estamos disponíveis nos horários comerciais e tambem podem nos localizar através de nossos telefones celulares.
Tel:(71) 3014-1607
Cel:(71) 9274-4315
Email: charothalicio@gmail.com



Aguardamos seu contato para poder lhe auxiliar da melhor foma possível. Esclarecemos duvidas, podemos dar opiniões sobre determinados assuntos, acompanhamos vocês até os locatários, ajudamos encontrar locais para festas, entre outros tipos de ajuda.
A consultoria foi desenvolvida para que você possa ter um menor numero de preocupação.

Venha estamos lhe esperando!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Descentralizar e as novas Centralidades.

Ao meu ver apostar na descentralização do ócio, é uma forma de criar novos polos de entretenimento nas cidades, uma forma salutar de inserir pessoas, projetos, abrir frentes de trabalho e gerar renda aos bairros, associadas a melhora da qualidade de vida da população.

O espaço geográfico é (...) um produto social em permanente processo de transformação. 
O espaço impõe sua própria realidade; por isso a sociedade não pode operar fora dele. Consequentemente, para estudar o espaço, cumpre apreender sua relação com a sociedade, pois é esta que dita a compreensão dos efeitos dos processos (tempo e mudança) e especifica as noções de forma, função e estrutura, elementos fundamentais para a nossa compreensão da produção do espaço (SANTOS, 1985, p. 49).

Em dez anos as cidades brasileiras incharam, mas continuam mantendo seus tradicionais espaços de ócio, o que vem a ser muito negativo. 
Quero citar três exemplos, na cidade do Salvador, que estão diretamente ligados a Gastronomia, muito ilustrativos do sucesso desta nova forma de pensar os espaços nas cidades.
Em decorrência da expansão urbana e a introdução do ritmo da cidade
industrial, com pouco tempo livre para se socializar e descansar, as pessoas buscam naturalmente locais onde existem maiores opções, o que se por um lado é comodo, podem gerar uma serie de inconvenientes como especulação imobiliária, excesso de publico, os tradicionais engarrafamentos e a alta de preços do ócio, gerando assim um stress desnecessário. Faz parte do trabalho dos gestores das cidades, mas principalmente do consumidor, promover esta descentralização

O Mercado Iaô 
localizado na área externa da antiga Fábrica de Linhos Nossa Senhora de Fátima, no bairro da Ribeira, bairro popular da cidade do Salvador. 

A ideia é que o Mercado Iaô impulsione a captação de recursos para a reforma do casarão propriamente dito, cedido pelo Governo do Estado para a Fábrica, e este venha a se tornar um centro de referência em cultura para a cidade, propondo um novo olhar sobre a Cidade Baixa.
O Mercado é um espaço plural que servirá ao encontro das diversas expressões culturais baianas.
O Mercado Iaô é um projeto da Organização Social Fábrica Cultural, que há 10 anos atua na Península de Itapagipe, e tem como presidente a cantora Margareth Menezes.

A Feira
Pilotado pela agitadora cultural Carla, tem uma característica fantástica, a itinerância, ela formulou seu evento de forma tal, que os Chefs circulem à cidade, indo a cada semana por diversos bairros, sem hierarquia.
A Feira torno-se um sucesso na cidade, e com certeza é uma das melhores opções para que deseja comer e se divertir no espaço publico.



















Abrindo espaço nos bairros periféricos.

Situado num bairro popular o Restaurante Paraíso Tropical, do Chef Beto Pimentel, funciona há anos em uma casa rústica na segunda travessa à esquerda do Resgate, no Cabula, um bairro de classe media baixa, que sofre a desigualdade social é fator que marca o cenário urbano.

Paraíso Tropical
Rua Edgar Loureiro, 98-B, Resgate - Cabula - Salvador 
Telefone:(71) - 3384-7464
E-mail: chefbetopimentel@hotmail.com

Outro exemplo importante, é o Projeto Ajeum da Diáspora, localizado no bairro de Tororó, um bairro bem tradicional da cidade, que tem na sua concepção a valorização da alimentação nos bairros populares, promovendo semanalmente um encontro com a comunidade, lugares onde historicamente se pode comer muito bem a preços módicos.



Ajeum da Diáspora
Endereço: Rua Amparo do Tororó, 157. 
Bairro: Tororó
Telefone: Contatos: 8806-8354 / 9110-0479 / 9160-8933







Outro bom restaurante soube claramente aproveitar sua localização, num dos bairros mais populosos da cidade Brotas, no Acupe, foi um Restaurante de carnes argentinas, a la Parrilla, o La Pulperia, onde o proprietário soube aproveitar ao mixamo, a geografia do local.


La Pulperia
Rua Novo Horizonte, nº 39, Ladeira do Acupe, Brotas – Salvador/BA
Telefone: (71) 3015-7379

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Na Bahia Escaldado de Peru é uma festa!


Da importância de manter as tradicionais receitas
A riqueza comum que nós herdamos como cidadãos, transmitida de geração em geração, constitui a soma dos bens culturais de um povo. 

Regina Guerra e sua fiel escudeira Sirlene
Ele conserva a memória do que fomos e somos, revela a nossa identidade. Expressa o resultado do processo cultural que proporciona ao ser humano o conhecimento e a consciência de si mesmo e do ambiente que o cerca. Apresenta, no seu conjunto, os resultados do processo histórico. 

Permite conferir a um povo a sua orientação, pressupostos básicos para que se reconheça como comunidade, inspirando valores, estimulando o exercício da cidadania, a partir de um lugar social e da continuidade no tempo.

Nesse sentido, patrimônio cultural é todo produto da ação consciente e criativa dos homens sobre o seu meio ambiente. E isso é, sem dúvida, o que distingue as sociedades e grupos sociais uns dos outros, dando-lhes identidade própria, a identidade cultural.

O ato de se alimentar não é apenas biológico, mas é também social e cultural. Possui um significado simbólico para cada sociedade, e para cada cultura. É fator de diferenciação cultural, uma vez que a identidade é comunicada pelas pessoas também através do alimento, que reflete as preferências, as aversões, identificações e discriminações.

Como deixar de atender a um convite da minha amiga Regina Guerra, confrade dos bons tempos, ainda mais se for para comer um Escaldado de Peru, no pós-natal, foi assim que tudo começo...

Quando o tema é tradição á mesa, a Bahia tem muita historia, e como uma cultura tem importância, a partir do legado que pode deixar à posteridade, esta tem muito a nos ensinar. Na realidade o Escaldado" é um cozido onde junto as carcaças do finado Peru, são agregados carnes, verduras e legumes.

Pois esta dupla Regina Serra e Sirlene, encheram de alegria meu paladar, numa mesa farta e super colorida, refletido claramente o virtual intuito de cozinhar, unir pessoas para brindar a alegria de compartilhar o prazer de estar junto.

Regi, afetivamente como à chamamos, arregaçou as mangas e ao lado da fiel escudeira Sirlene, nós mostrou que quando se tem Graça e Atenção ao servir, tudo é alegria. 
Fiz a maior festa nesta cozinha, me emocionei pois a muito não como um escaldado tao bem preparado, onde se sentiam o sabor de cada verduras individualmente, coisa das mais difíceis para uma comida, para tantas pessoas. 
As carnes em seu ponto, e o que dizer do Pirão e do Molho Lambão? incrível.

Sou grato e juro não recusar nunquinha ao chamado da Regina, mas se você precisa de mais argumentos para se convencer, leia o texto abaixo do João Ubaldo Ribeiro:

Receita de escaldado de Peru, pelo próprio João:

Queridos amigos,
Espero que tenham todos passado uma bela noite de véspera de Natal e que hoje a ressaca esteja sendo leve. Dito isto, passo a tratar de um assunto delicado, qual seja o que fazer das inevitáveis sobras do peru de ontem. 

E almoçar ou jantar em casa sem ter quase nenhum trabalho na cozinha. 
Em minhas conversas cariocas, tenho notado que a solução que proporei é desconhecida de grande parte das pessoas, de forma que a passo para quem não a conhece, pois vale a pena e evita desperdício e insensatez. 
Pode-se resumir minha sugestão no seguinte: façam um cozido de peru. 
Na Bahia, isto se chama “escaldado” de peru e é o destino inevitável de maior parte das carcassas dos infortunados glugluzáceos consumidos na noite anterior. 
Pense num cozido em que as carnes sejam as do peru, é só, é o básico. 

O prato permite infinitas variações. Leva uns tomates, umas cebolas (inclusive inteiras, ou cortadas pela metade), uma salsinha (ou coentro, para quem gosta), repolho, couve, cenoura, abóbora, enfim, tudo o que pode levar um cozido, até mesmo jiló e quiabo. Corta-se a carcaça mais ou menos ao feitio com que cortam o frango assado da padaria e, se se quiser, refogam-se (os chiques usam óleo de oliva, mas não é indispensável) cebola e tomate, antes de acrescentar água e os pedaços do peru. Há quem use, numa medida que considero acertada, uns pedacinhos de paio para alegrar e há até (não sou muito a favor), quem adicione um pedacinho de carne-seca, para sorteio. 

Enfim, pense-se num cozido livremente, só que com as carnes do peru. O caldo pode ser usado para um pirão, para os que apreciam tal acompanhamento. Não é preciso desossar nada, fazer mais nada além disso. 
.O peru resiste bem ao re-cozimento e é fácil, futucando com um garfão, ver quando a coisa já chegou ao ponto. Trata-se de iguaria leve e alegre, que vai fazer alguns de vocês reavaliar a baixa conta em que têm, por exemplo, o peito do peru, por insosso e seco demais. Fica uma delícia. 
Quem gosta de cozido jamais deixará passar-se outro Natal sem que se faça um escaldado de peru. Ponham a inventividade a favor de idéia, que é fácil, quase não dá trabalho, quase nem suja nada na cozinha, a não ser uma faca e uma eventual colher de pau. 
Fraternal e gastronomicamente vosso, João Ubaldo

#ComaCultura

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Recôncavo terra de matriarcas

Difícil falar do Recôncavo sem lembrar das grandes mulheres deste lugar, todas elas deixaram marcas fundamentais na cultura, traços profundos na historia do candomblé,  alem de serem as responsáveis por manter as tradições, simbolo maior de resistência e beleza.
Gaiaku Luiza, Virgínia Rodrigues, Edith do Prato, Nicinha do Samba, Dona Canô, Dona Dalva, Mãe Filhinha e tantas outras mulheres, serão sempre as grandes homenageadas nesta festa que vamos dar inicio apartir do dia 29, na Flica com a presença do Chef Alicio Charoth e sua cozinha Sotoko, no Identidade Brasil


Quem não provou as receitas de dona Canô?

Mãe de Caetano e Bethânia guardava um rico patrimônio culinário

Dona Canô morreu como viveu: da forma e no lugar que escolheu.  “Estou indo para o céu”, disse, dias antes, a um vizinho. Matriarca não apenas de sua família, mas da cidade banhada pelo Rio Subaé, que tanto lutou para despoluir, Claudionor Viana Teles Velloso foi a guardiã dos costumes do Recôncavo Baiano. Tanto de sua fé como de seu imenso e particular patrimônio culinário.

“Ao contrário do resto da Bahia, o Recôncavo ainda mantém as tradições da comida de azeite, da comida tradicional”, me disse, aos 98 anos, diante de uma fatia de bolo de limão que compartilhávamos, sentada numa poltrona de veludo grosso sob uma grande foto de Maria Bethânia na parede.

“Quando tem um almoço, vou provar, saber como está. Mas quem faz tudo com gosto e prazer é a Isaura”, dizia ela, sobre sua escudeira há mais de 40 anos. “Azeite de dendê, camarão seco, castanhas e leite de coco não faltam. Nem as frutas frescas para sucos e doces. Sempre tenho farinha de mandioca da feira, que

Caetano e Bethânia adoram, ou os mariscos que Mabel tanto gosta”, explicou, em referência à filha que, por sinal, reuniu as receitas da mãe no livro O sal é dom - receitas de mãe Canô (Melhoramentos).
Apesar das predileções, nenhum dos filhos tinha privilégios à mesa. Nem os famosos. “Não tinha esse negócio de Caetano e Bethânia quererem isso ou aquilo, não. O que um comia, todos comiam”, disse ela, lembrando que, provedora, a mãe precisava cozinhar em grandes quantidades para os oito filhos e muitos agregados da casa de quintal e corredores compridos.

Dona Dalva do Samba

Aos 85 anos, dona Dalva Damiana dos Santos é o que podemos chamar, sem medo de ser marketeiro, de matriarca. É guardiã e reprodutora do samba de roda do Recôncavo Baiano. Já fez participações em shows e DVDs de Gil e Beth Carvalho, mas não larga Cachoeira, a cidade-joia do Recôncavo onde mantém suas rodas uma vez por semana. Tem a autoridade dos grandes.

Neta de escravos, preta altiva, aprendeu com a avó a fazer outro tesouro do qual é também guardiã: a maniçoba. É com essa comida ancestral, mistura de técnicas indígenas e portuguesas retemperadas pela mão africana, que Dona Dalva alimenta o povo do samba – e o povo da sua cidade.

Não é comida simples. Longe disso. Como uma feijoada, o prato leva carnes de porco e demais embutidos. Mas nada de feijões. A base é feita de folhas de mandioca brava trituradas e cozidas.Acabou por aí? Qual nada!

Venenosas, as folhas possuem ácido cianídrico que, se não eliminado, pode matar o comensal.“A folha tem uma maldade, se a gente não tirar a maldade dela, ela mata a gente”, diz dona Dalva. São quatro ou cinco lavagens de água quente até o veneno sair. Depois, um a um, os ingredientes, no total de mais de 24 horas de preparo até tudo virar uma grande pasta verde ocre com sabor das carnes. Coisa da época em que éramos obrigados a transformar o incomível em comível. Hoje, elemento de prazer e peça de identidade.
A guardiã da cultura Jeje
Gaiaku Luiza que é bisneta de africano e foi nascida e criada dentro do candomblé aonde chegou a morar dentro da Roça de Ventura. Teve contato com as velhas tias do candomblé que lhe ensinaram muita coisa. Em 1937 Gaiaku Luiza é iniciada para Oyá na nação ketu, no Ilé Ibecê Alaketu Àse Ògún Medjèdjè, do famoso Babalorixá Manoel Cerqueira de Amorin, mais conhecido como Nezinho de Ògún, ou Nezinho da Muritiba, filho-de-santo de Mãe Menininha do Gantois. Por motivos particulares, após 2 anos Gaiaku Luiza se afasta da Roça deste ilustre Babalorixá. Foi Sinhá Abali, segunda Gaiaku a governar a Roça de Ventura, quem viu que Gaiaku Luiza deveria ser iniciada no Jeje, nação de toda sua família, e não no Ketu. Assim, encarrega sua irmã-de-santo Kpòsúsì Romaninha, de sua inteira confiança, a iniciar Gaiaku Luiza no Terreiro Zòògodò Bogun Malè Hùndo, em Salvador. Em 1944, Gaiaku Luiza é iniciada na nação Jeje sendo a terceira a compor um barco de 3 vodunsìs. Seu barco foi constituído por uma Osún, um Azansú e uma Oyá.
Gaiaku Luiza foi uma das poucas Vodunsìs,  na Bahia, que ousaram abrir uma roça de candomblé jeje-mahi. Isso ocorreu em 1952, num período em que não era comum tal prática dentro do culto jeje. Na época, supõe-se que existiam somente dois terreiros jeje-mahi na Bahia, que eram o Zòògodò Bogun Malè Hùndo (Terreiro do Bogun), em Salvador, e a Roça de Ventura (Sejá Hundê) , em Cachoeira. Com a autorização e participação de sua mãe-de-santo Kpòsúsì  Romaninha, dona Luiza abriu um terreiro jeje-mahi, tornando-se, então, uma Gaiaku.
Texto extraído e readaptado do livro “Gaiaku Luiza e a trajetória do jeje-mahi”, escrito por Marcos Carvalho (Mejitó Marcos de Gbèsén), filho de santo de Gaiaku Luiza.
Foto: Gaiaku Luiza, sacerdotisa do candomblé jeje, em Cachoeira, com o percussionista Nana Vasconcelo

segunda-feira, 29 de setembro de 2014


Sem muita mumunha, Alteridade foi o que se viu, a cidade é o espelho das pessoas que nela habitam, e foi só alegria nas ruas da Bahia com a chegada da primavera e com tanta comida gostosa.


Finalmente ela, a Comida baiana e seus artífices, mostraram a força e a beleza de uma das mais ricas gastronomias do Brasil, que voltou a ressurgir em grande estilo, e o melhor de tudo, na rua, o simbolo da democracia e da liberdade.

Muita historia passou desde 2012, lembro em tantas conversas, sobre o quanto seria importante uma feirinha gastronômica na cidade. O lançamento do International Guide Bahia, era a chave para esta desconstrução.
Muitos jovens Chefs, alguns que eu nem conhecia, agitavam a cena local, alguns com nitrogênio liquido, outros com esferas, aff, o mundo mudava seus conceitos e a Bahia, não estava fora de compasso.

Por diversas capitais do Brasil e do mundo, meio que de forma simultânea, a Gastronomia, estava em ebulição, um caldeirão fervente, que apontava para todos os lados e sentidos, o mundo se movia, e o alimento era a mola propulsora.

A cozinha, saiu dos fundos da casa, e mostrou-se uma ferramenta eficaz de luta, de dizer não ao conservadorismo do pensamento, onde o Chef é figura chave, nesta mudança, e estávamos todos nós por lá novamente e em muito maior numero, em 2014, no lançamento do Guide, jé eramos muitos e mais fortes, uma festa linda, sempre unindo a grande musica baiana, pilotada por Moraes Moreira, que deu seu recado e sinalizando que a "energia pura do baiano" estava viva e queria mais.

E o "Chame Gente" funcionou mais uma vez, talvez como um mantra, um batuque de nagôs, todo mundo veio ver  tradicionais ou moderninhos e também a senhora do bairro, todos queriam provar as iguarias apresentadas pelos Chefs, todos queriam provar o sabor, pois ele é muito maior, quando é acessível e compartilhado por todos, pois juntos, desfrutamos melhor.
Mas faltava algo; o espaço se fazia exíguo, e não só o físico, os Chefs queriam muito mais, e a cidade também; Cidade que tem na festa e na alegria um dos pilares da sua forma de ser, Faltava retomar a rua.

E foi o que fizemos..

A diversidade e o respeito a ela, foi outra marca importante da Bahia e da feira, a criatividade rolou solta, e deve rolar muito mais, livre de regras e muitas convenções os Chefs tiveram liberdade de fazer o que te dava na telha, ou nas caçarolas. "Deu de um tudo", em bom baianés, de Buraco Quente, a Xinxim de Bofe, de Bobó de Camarão a Helado de Paila, doces Ligths, Diets, Orgânicos
dentro da maior harmonia
‪#‎AFEIRA‬, representa algo muito maior, algo que nós foi roubado, e que perdurou, esta sensação de perda se refletiu durante muito tempo na garganta dos baianos, uma gente amistosa e que já demonstrou ao mundo que sabe viver.
Tomar a rua de volta, fazer saber que este é nosso lugar, desafogar as tensões urbanas de forma criatividade e espontânea, conectar urbanismo, arte de rua e comida, humor e ativismo.
Isto foi o que se viu na Festa de Inauguração da nova Orla da Barra, seguida pela Festa em homenagem a Primavera. 

A gastronomia de um pais, um estado uma cidade, demonstra a evolução de sua gente, a pulsação com que todos  abriram os braços para receber a Feira, foi uma alegria para todos nós Chefs e pessoas envolvidas com alimentos na nossa cidade, e esta alegria deve permanecer, em nome de uma cidade mais humana e para todos, e Chame Gente :)
-- 

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Em terra de Chefs, quem tem um olho dita as regras!!


Cultura, tem por definição muito básica o conjunto de conhecimento adquirido; a instrução, o saber; conjunto das estruturas sociais, religiosas, etc., das manifestações intelectuais, artísticas, o que torna muito abrangente, dando lugar as mais diversas interpretações pensando assim quando estamos inseguros, abrimos a porta para toda serie de vaidades sejam mostradas.
Somos uma cultura que valoriza a imagem, o titulo, mesmo que o nosso sistema educacional seja um lixo, o ensino esteja da forma que estamos acostumados a ver, e despreza os conhecimentos empíricos, os que são fruto das vivencias, cultuamos o discurso único numa clara paixão ao conhecimento carimbado, à verdade, mas que verdade estamos nos referindo??

Ouço sempre a mesma ladainha, de que pessoas que não são do ramo falam em nome da gastronomia, com total liberdade sobre esta assunto, mas me pergunto, o que é ser do ramo, se todos nos comemos, bebemos e nos relacionamos com a alimentação cotidianamente, nada mais Democrático?

E se ha uma permissividade nesta questão, se existe "culpa" não deve ser de quem fala,e sim de quem ouve e aceita de bom grado esta informação.
Sinto e vejo, muita gente falando sobre o assunto, e uma das coisas que mais me chamam a atenção é que sempre estão prontas para ditar uma regrinha, uma normativa, os cozinheiros tem que se portar assim ou assado, os restaurantes devem seguir este ou aquele, pouco propõem um olhar novo, passar informações contribuir com o engrandecimento da cultura gastronômica, reforçar elementos que despertem ao simples leitor uma paixão, não, isso não importa.

Pois temos pouca cultura gastronômica e digo isso sem pestanejar, somos diariamente bombardeados por uma propaganda que acultura, onde a comida alheia é melhor mais gostosa, mais bonita e mais Chic que a nossa, estamos falando de um discurso, que para realmente vir a mesa como forma de debate, necessita informação conhecimento e vontade. A muito a cozinha deixou de ser aquele lugarzinho intimo da casa, ele é responsável por movimentar divisas e isso ainda não foi compreendido, ou pelo menos das pessoas que produzem.

Quando realmente nos dermos conta da importância desta cultura, será quando mais pessoas se reunirem para pensar a gastronomia, quando mais pessoas tiverem acesso a cursos de melhor qualidade, quando incorporar pessoas que desejem produzir algo de qualidade, quando a criatividade tiver um status de empreendedorismo, quando um discurso "conceito" for cientificamente comprovado, e de acordo com realidades, ai sim estaremos preparados para julgar uma fala coerente, no mais vamos seguir dando ouvidos, ou idolatrando o sabor (ideológico) do momento.

A Foto: A Cozinha do artista David Teniers ano 1646, Bélgica, estilo Barroco
Gênero: pintura de gênero
Técnica: óleo
Material: lona
Galeria: Hermitage, de São Petersburgo, na Rússia

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Nego Loko

Esta receita esta impregnada de referencias a nossa cultura gastronômica, elementos aos quais não damos a minima importância, neste caso passam realmente a serem prestigiadas, através do nosso olhar.

Para mim a questão gastronômica esta intrinsecamente ligada a nossa cultura, o jeito brasileiro de cozinhar, ao modo de nos relacionarmos com produtos locais, seus modos de preparo, a sua nomenclatura e sua criatividade.

Uma das minhas intenções com isso é incentivar a produção/criação, uma linguagem gastronômica baiana e em especial o com produtos típicos e incorporados a nossa cultura, elem de estimular práticas alimentares sustentáveis e com produtos locais. 

E por isso surgiu a ideia de reinterpretar um ícone da culinária doce baiana, o NEGO BOM, que tive o imenso prazer de ler num verbete do "Pequeno Guia Afetivo da Comida de Rua, bela produção da Poro - intervenções urbanas e ações efêmeras.

Começamos pelo quesito sustentabilidade:

A receita foi desenvolvida, com base no Abacate; todos sabem que um dos mais importantes  ingredientes de um bom bolo, é a manteiga, o produto que confere  sabor, alem de trabalhar com o acúçar , fazendo dupla jornada, com a gema do ovo, a lecitina presente na gema mais o açúcar se emulsificam e ajudam a reter água, o que aumenta a vida util do bolo.
Nesta receita não utilizaremos manteiga na sua base, e sim o abacate, que tem na sua composição, seu rico conteúdo em gordura, 8,8g% no abacate roxo, 15,8g% no abacate Guatemala, de 16 a 18,5g% no abacate comum.
Aproximadamente 89% do calor energético do abacate provém desta gordura assim distribuída: 3,7g de gordura saturada, 8,3g de gordura mono-insaturada e 6,5g de gordura poliinsaturada e quantidades ínfimas de colesterol (14mg%).
Saúde:
O abacate é rico em fitonutrientes, substâncias naturais da planta que funcionam como nutrientes e auxiliam na redução do risco de doenças, tais como as cardiovasculares e o câncer.
Esses fitonutrientes recentemente descobertos no abacate são o beta sitosterol e a glutatoína. O beta sitosterol auxilia na redução dos níveis de colesterol enquanto que a glutatoína, age como um antioxidante. Os antioxidantes ajudam o corpo a neutralizar a ação dos radicais livres, os quais têm sido apontados como um dos fatores responsáveis no desenvolvimento de doenças cardiovasculares e câncer. O abacate, uma das melhores fontes de glutatoína, pode oferecer certa proteção contra o câncer oral, de garganta e outros tipos de câncer , segundo investigações recentes.

Castanha de Caju
A castanha é um simbolo da cultura nordestina, um fruto seco que não perde nada para outros tipos de castanhas do mundo, um delicioso sabor e crocancia, é fonte de saúde, alem disso para ela não tem tempo ruim, ela cresce o ano todo, servindo de ingrediente para saladas, lanches, iogurtes, e outros alimentos em todas as é pocas do ano. 


AMMA 70%
O Nego Loko, foi desenvolvido com Chocolates AMMA, 70%, o consumo de cacau  é necessariamente importante para a saúde, rico em antioxidantes, como flavonoides, que auxiliam a pele e a prevenção contra doenças cardiovasculares. Os Chocolates AMMA, tem o legítimo sabor brasileiro, produzido com cacau orgânico no sul da Bahia de cacau do tipo Pará e Parazinho, nativos da floresta amazônica.

Gengibre:
Outra das minhas paixões, é o Gengibre, muitas das minhas criações, tem nesta raiz, fonte de inspiração, neste caso usei o gengibre cristalizado.
Quem não se lembra do Sorvete de Coco, com Molho de Gengibre, que criei em 99, para a inauguração do Maria Matamouro, Hoje usado e abusado por muitos Restaurantes e Chefs por ai a fora.
O Gengibre, é um potente anti-inflamatório natural, por isso pode usar-se o gengibre para aliviar as dores e processos inflamatórios crônicos como artrite, reumatismo, etc. 
Leia mais no Sigulink:
http://saude.umcomo.com.br/articulo/quais-as-propriedades-do-gengibre-314.html