terça-feira, 28 de abril de 2015

Bolo de Chocolate sem Lactose-Receita da Fabi Aguiar

Intolerância à Lactose é o termo utilizado para pessoas que não conseguem digerir produtos lácteos (leite e seus derivados). 

Esta impossibilidade de digestão geralmente ocorre em pessoas que não produzem a enzima lactase ou produzem-na em quantidade insuficiente para realizar a digestão da Lactose.

A maioria das populações têm uma perda progressiva da capacidade de absorção da lactose que inicia-se após os primeiros anos de vida.

O QUE É LACTOSE E LACTASE?
A Lactose é o açúcar do leite, um dissacarídeo que com a ação da enzima lactase, transforma-se em dois mono sacarídeos: glucose e galactose. Estes carboidratos simples, após formados, são facilmente absorvidos pelo corpo. No entanto, a falta ou deficiência na produção da lactase faz com que a lactose chegue até o intestino grosso sem ser absorvida pelo organismo. Ela é fermentada por bactérias causando gases e sintomas típicos de indigestão.

QUAL É O TEOR DE LACTOSE EM UM COPO DE LEITE?
O leite de vaca, assim como todos os outros leites de origem animal, contém em média 5 gramas de lactose por cada 100 ml de leite. Assim, um copo de leite (250 ml) contém 12,5 g de lactose. O leite humano é o mais rico em lactose. Ele contém cerca de 7g de lactose por cada 100ml.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA INTOLERÂNCIA À LACTOSE?
Os sintomas mais comuns são a diarreia (ou à vezes constipação), distensão abdominal, gases, náusea e sintomas de má digestão. A severidade dos sintomas dependerá da quantidade de lactose ingerida assim como da quantidade de lactose que seu organismo tolera.

COMO SABER SE VOCÊ TEM INTOLERÂNCIA À LACTOSE?
Em primeiro lugar é muito importante ressaltar que existem níveis de intolerância, pois a quantidade de enzima lactase produzida pelo corpo varia de pessoa para pessoa. Algumas pessoas possuem uma deficiência mínima na produção da enzima, ao passo que outras não a produzem. Isto irá afetar o seu nível de intolerância.

Bolo de Chocolate sem Lactose
Ingredientes:
2 xic de farinha de trigo integral
1 e 1/2 xic de farinha de trigo Branca especial
1/2 xic de cacau em pó ou 1 xic de chocolate em pó
1 e 1\2 xic de açúcar demerara
1\2 xic de açúcar mascavo
Canela a gosto
4 ovos 
100 ml de óleo de coco
100 ml de óleo de girassol
200 ml de leite de coco fresco
1 col Sopa de fermento em 
1 col.  Café bicarbonato

Modo de Preparo:

Bater na Batedeira os ovos, açúcar, óleos, até homogeneizar e ficar cremoso. Adicionar aos poucos as farinhas,  cacau e canela- opcional, Ir alternando com o leite de coco e por fim acrescentar o fermento e o bicarbonato.
Assar em forno pré-aquecido a 180 graus por aproximadamente 35 min

Fabi Aguiar 

(71) 87965727/ 97075001
Conheça um pouco mais do trabalho da Fabi Aguiar, no Sigulink:
https://www.facebook.com/fabi.aguiar.7

Sementes Nacionais Urucu

O urucum é uma planta originária da América do Sul, mais especificamente da região amazônica.
Seu nome popular tem origem na palavra tupi "uru-ku", que significa "vermelho".

De suas sementes extrai-se um pigmento vermelho usado pelas tribos indígenas brasileiras e peruanas como corante e como protetor da pele contra os raios solares intensos. Hoje ele é usado amplamente na indústria alimentícia como corante de diversos produtos.

Em cultura lusófona, chama-se ainda açafroa e também colorau (forma imprópria, a designar especificamente o condimento, também o corante, preparados à base de sementes do urucu trituradas ao pó, puras e/ou misturadas a outras).
Os índios Yawanawa, no Acre foram os primeiros a fazer um acordo com a Aveda. Teriam recebido US$ 150 mil pôr seu trabalho no fornecimento de urucum.


Já os índios Guarani-Kayowa, do Mato Grosso do Sul, teriam obtido US$ 51 mil dólares na extração do azul do jenipapo.

O urucu é utilizado tradicionalmente pelos índios brasileiros (juntamente com o jenipapo, de coloração preta) e peruanos, como fonte de matéria prima para tinturas vermelhas, usadas para os mais diversos fins, entre eles, protetor da pele contra o sol e contra picadas de insetos; há também o simbolismo de agradecimento aos deuses pelas colheitas, pesca ou saúde do povo. 
No Brasil, a tintura de urucu em pó é conhecida como colorau e usada na culinária para realçar a cor dos alimentos. Esta espécie vegetal ainda é cultivada por suas belas flores e frutos atrativos.
Os índios iauanauá vivem em três aldeias no Oeste acreano, uma das regiões mais recônditas da Floresta Amazônica. De Tarauacá, o povoado mais próximo, até a reserva indígena, são dez dias de barco. Mesmo no isolamento de matas e rios, eles estão conectados ao comércio mundial.

Desde 1995, os iauanauá são fornecedores exclusivos de urucum para a Aveda, empresa de cosméticos naturais dos Estados Unidos, comprada recentemente pela francesa Estée Lauder.



O pó das sementes maceradas: digestivo, laxante, expectorante, febrífugo, cardiotônico, hipotensor, antibiótico, antiinflamatório para contusões e feridas, colesterol, sarna e piolho;
- infusão: 10 a 15 g de sementes por litro de água fervente por 15 minutos: endocardite, pericardite, afecções do estômago, obstipação intestinal, hipotensor, vermífugo, tratamento de doenças pulmonares, asma, febres, afrodisíaco, moléstias cardiovasculares, digestiva, expectorante, laxante, colesterol;
- infusão das folhas: bronquite, faringite, expectorante, inflamação dos olhos;
- decocção das raízes: digestivo, inflamação.


Azeite de Urucum
Tradicional elemento da Moqueca Capixaba o Azeite de Urucum, pode ser preparado em casa, confira os ingredientes:

2 xícaras (chá) de azeite de oliva espanhol 

1/2 xícara (chá) de sementes de urucum
Como fazer:

Coloque em uma panela o azeite de oliva e as sementes de urucum

Leve ao fogo por 5 minutos ou até o azeite de oliva ficar bem vermelho, mas tome cuidado para o azeite não fritar

Se esquentar muito retire do fogo, espere um pouco e volte

Retire do fogo. Deixe esfriar e guarde a tintura (azeite de oliva com as sementes) em um recipiente de vidro esterelizado (capacidade para 1/2 litro).

Use para preparar moqueca de peixe e caldeiradas de frutos do mar.

"Arroz da Mamãe" por Brigida Salgado.

 “Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei”.
Clarice Lispector

Um prato super simples, mas que até hoje quando nos encontramos nas festas de fim de ano ou em outras comemorações familiares, alguém sempre diz eu levo o "arroz da mamãe".
É um arroz de forno feito com banana e carne moida, com queijo mineiro curado ralado por cima. 
Uma comida simplerrima, mas deliciosa com gosto da casa da mamãe.
Receita: Faz se o arroz com bastante alho e bem soltinho;
Depois um molho com a carne moída de primeira ( como a bolonhesa, mas um pouco mais seco);
Em um pirex voce arruma em camadas o molho de carne, bananas fatiadas de comprido e o arroz. Termina a camada sempre com as bananas, decorando como uma flor. Jogue o queijo ralado por cima e leve ao forno para derreter o queijo e cozinhar um pouco a banana. (pode
ser banana prata, banana catturra ou banana da terra).

Pequeno Dicionario da Cozinha Baiana

Verbete A Abarém

Lá vem severo do pão vendendo seu Aberém
Mas quando penso que não lá vem tereza também
É de ba efô é de bariforé
Lá vem severo do pão vendendo acarajé
(...)
Assim coma a música do Dorival Caymmi, “Severo do Pão”
Como podemos constatar na letra do Caymmi, o Aberém também já foi comida de rua, vendido por negras de ganho, apesar de hoje, não ser um item comum, ele esta restrito a algumas casas de candomblé mais tradicionais, que mantem a tradição no seu preparo.


Havia ainda o Aberém preparado com açúcar, cujas bolas, do tamanho de um limão, eram ingeridas sem outro qualquer elemento adocicado, ou Segundo Manuel Querino, no seu “A Arte Culinária na Bahia”, feito com a mesma massa do Acaçá e que pode ser diluído para virar refresco.

O milho é o ingrediente principal de nosso quitute: o Aberém.

Segundo Jacques Raimundo, o aberém é um: bolo de massa de milho, amolecido na água e ralado
na pedra, aquecido ligeiramente ao fogo depois envolto em folhas de bananeira e atado com a fibra que se retira do tronco desse vegetal.
Não é só em receitas que a palavra aberém aparece. Os dois principais dicionários Aurélio e Houaiss também registraram nosso aperitivo de origem africana, mas, especificamente, segundo o Aurélio, de origem iorubá.

Raul Lody afirma que essa comida pode ser servida junto com o amalá, também com mel de abelha e, quando prepara da à base de açúcar, é consumida como qualquer doce.
O contato da língua portuguesa além mar com as línguas africanas tem seu início no período colonial. A língua do colonizador concorreu com as línguas africanas de diferentes grupos étnicos trazidos para o Brasil entre os séculos XVI e XIX para o trabalho cativo nas mais diversas atividades como o corte e beneficiamento da cana de açúcar, a mineração, o serviço doméstico. 
Enfim, todo e qualquer trabalho braçal executado pelos negros escravizados.
Diante da necessidade de agrupar uma quantidade considerável de negros nas fazendas, ou seja, nas senzalas, houve uma certa precaução dos senhores em misturar os escravos pertencentes a grupos lingüísticos diversos e através da diversidade étnica e lingüística impedir que eles se entendessem. 
Dessa forma, buscavam mantê-los submissos e os forçavam a aprender uma nova língua, a língua portuguesa.
O que os senhores não sabiam era que mesmo falando línguas, aparentemente diferentes, elas pertenciam ao mesmo tronco lingüístico, isto é, eram línguas aparentadas.
Esse fato favoreceu o desenvolvimento de um dialeto próprio o dialeto das senzalas necessário à uma comunicação ente seus irmãos de cor, e, entre eles e seus senhores.
Essa inserção natural dos traços lingüísticos dos povos negroafricanos, com a língua do colonizador é objeto de interesse de muitos pesquisadores, merecendo relevância os estudos da pesquisadora Yeda Pessoa de Castro que, a partir de suas pesquisas fundamentada na Etnolingüística, começa a tratar desta questão não mais como um Empréstimo de vocábulos e, sim, como Aportes, pois a presença das línguas negroafricanas se faz tão presente nos mais diferentes falares brasileiros que não se pode mais negligenciar a participação desses povos na formação sociocultural do povo brasileiro.
 Abarém
Ingredientes:
1 Kg de milho branco ou vermelho
Açúcar a gosto se o milho for vermelho
Quanto baste de folha de bananeira
Modo de preparo:
Põe-se o milho pilado, branco ou vermelho, de molho. Passa-se na pedra ou na máquina de moer. Se for milho branco, não leva tempero de espécie alguma. Se for vermelho, leva açúcar a bom paladar. Embrulha-se
a massa em folhas secas de bananeira da prata, em pequenas porções, como no acaçá. 
Cozinha no vapor da panela, como abará.
Come-se com caruru, vatapá, badofe, etc. A folha da bananeira deve ser preparada da seguinte forma: corta-se a parte grossa e arrumam-se os pedaços da
folha num alguidar; joga-se água fervente em cima.
Depois, passa-se em outra água e dependura-se no vento até ficar seca.


https://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=nt9hqwq9lBM

Comida revela nossos valores culturais

"Não há comida americana."
Quando começamos a listar os alimentos americanos, ou falamos sobre coisas regionais, como a lagosta ou camarão crioulo, ou falamos de spaghetti e pizza e cachorro-quente ... Alguém poderia argumentar que é o que torna grande a sociedade americana. 
O fato de não temos uma cozinha é uma medida da nossa democracia e da nossa heterogeneidade étnica ".

Pouco conhecido por aqui Sidney Mintz é um é professor de antropologia da Johns Hopkins University, autor consagrado da área que trata da cultura e da história afro-americana.  Autor de mais de uma dúzia de livros, lecionou nas universidades de Yale, Hopkins, Stanford e Princeton, nos EUA.

Ativo crítico da cultura alimentar americana Mintz, afirma que “o produto que o McDonald’s vende e o que as pessoas compram não são necessariamente a mesma coisa, ainda que a empresa tenha sucesso financeiro”.

Ele também é uma sumidade em questões que envolve relações raciais e a consciência histórica afro-caribenha.

Leia o texto abaixo, vale a pena!


COMIDA E ANTROPOLOGIA Uma breve revisão

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69092001000300002&lng=pt&nrm=iso&tlng=

Leia também Entrevista com Sidney Mintz
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-71832012000200016&script=sci_arttext

Comunidade de Pemacultura no Sul da Bahia, produz Vinagres naturais a base de frutas.

O Kilombo Tenondé, vem desenvolvendo uma linha de Vinagres Naturais Maturados Artesanalmente, com um afinado paladar ácido, e sabor pouco fermentado.

Coordenado pelo Mestre Cobra Mansa, o Kilombo Tenondé combina a arte de Capoeira Angola com a prática de permacultura
realizando uma série de atividades, eventos e oportunidades de trabalhos voluntários. 

Essas atividades envolvem a bioconstrução, agroflorestas, a agricultura orgânica (incluindo produção de: cacau, canela, cravo, urucum, dendê, guaraná, manica, jaca, legumes, dentre outros), criação de animais incentivando a comunidade local para o desenvolvimento de práticas ecológicas e auto-sustentáveis. 

O Kilombo está localizado em Bonfim, um pequeno vilarejo próximo da cidade de Valença/BA. A área tem floresta nativa, áreas de agricultura e áreas reflorestadas.

Na antiga China, o jarro de vinagre era um símbolo da vida. Os egípcios, babilônios, indianos, gregos e persas conheciam a arte da fabricação do vinagre e sua versatilidade. 
Era o único meio de  conservar a carne, o peixe e os legumes. Somente assim, os alimentos perecíveis podiam ser transportados por longas distâncias. O vinagre era apreciado ainda por seu efeito refrescante. 
 
Não somente os legionários romanos, mas também os soldados, agricultores e viajantes até a idade média bebiam água com vinagre para matar a sede e para o bem de sua saúde. Há milênios os homens usam o vinagre também no tratamento da saúde do corpo e como remédio.
São três sabores básicos preparados de forma artesanais na comunidade do Kilombo: Coco, Cacau e Banana(em breve Abacaxi)

Todos os produtos passam por um processo de fermentação e maturação, em sua maioria, alguns como o de Coco, com até uma ano. Muito comum na Indonésia e Bali, o Vinagre de Coco do Kilombo Tinondé é feito a partir da fermentação da água de coco. A maioria dos vinagres são claros, porque são destilados e originalmente feito a partir de açúcar branco.

Nas Filipinas, os "vinagres de coco" não são feitos a partir da água de coco, mas sim retirando a seiva do seu tronco, diferentes da maioria todos os vinagres comerciais que  são destilados, os "vinagres de coco" do Kilombo Tinondé   são feitos a partir da água de coco, cheia de nutrientes que em alguns países é usado para fazer lambanog, uma bebida alcoólica semelhante a vodka.
 .
O Vinagre de água de coco do
Kilombo Tinondé , não sacrifica coqueiro em sua produção, uma vez que é coletado a partir de cocos maduros, que são utilizados para fazer óleo de coco, e as mesmas árvores podem continuar a produzir cocos
ano após ano. 

Este é um dos mais saudáveis vinagres repleto de nutrientes que você vai encontrar em qualquer lugar do mundo!

O vinagre de Coco é usado extensivamente na Cozinha do Sudeste Asiático, como nas Filipinas e em algumas cozinhas da Índia e Goa.

Saiba mais sobre o Kilombo Tinondé, no Sigulink:

https://www.facebook.com/kilombotenonde.permangola

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Mulheres que fazem à diferença no campo

O município de Piatã, na Chapada Diamantina tornou-se um polo de desenvolvimento, quando falamos em Café, sustentabilidade e produtos Orgânicos.

Muito deste trabalho invisível, tem por traz, mulheres lutadoras e que acreditam, que todos os processos podem ser alterados.
O Café inseriu mulheres no setor, onde estão à frente de fazendas, inovando, apostando em descobertas e na pesquisa. Quase sempre, transformam locais por onde passam.

O Loko, convidou a Brigida Salgado para um Bate&Leva, onde ela democraticamente expõe todas as dificuldades do campo, mas toda a alegria de poder ser agente transformadora de muitas realidades.

 A Brigida é produtora de Café Arábica com manejo Orgânico e agroecológico, formada em biblioteconomia, com especialização em Agricultura Biodinâmica pela universidade de Uberaba, uma aprendiz da natureza-trabalhando com agricultura agroecológica no ramo da Cafeicultura.
Apesar de conhecer muito pouco o universo gastronômico dos Chefs, seu irmão Davi Salgado, é um excelente cozinheiro.



"Certa vez tive oportunidade de estar numa feira internacional de produtos orgânicos na Alemanha, com a Chef  Flávia Quaresma e fiquei admirada de como ela buscava alimentos genuinamente brasileiros para preparar os pratos."
Somos velhos amigos e ela me conta,que reencontrar-me como El Cocinero Loko foi uma surpresa enorme e que gosto muito do meu jeito de ver e trabalhar com a gastronomia.

E da minha parte, foi com um imenso prazer entrevistar esta mulher dinâmica, que me mostra que podemos muito mais. 

Bate&Leva

<Si pudesse sentar a mesa com Brigida Salgado, O que lhe preguntaria?
R. O que temos hoje para o jantar? Que tal finalizar esse jantar com um  café de qualidade!

<Acha que o mercado cresceu e as pessoas estão mais conscientes em termos do que é uma "boa alimentação"?
R. Sim, as preocupações com a saúde e com o meio ambiente tem trazido mais consciência sobre a alimentação mais saudável. 

<Infelizmente o Brasil é um dos países que mais consomem agrotóxicos no mundo, cerca de média anual de litros consumido por habitante esta em 5,5 litros, Como podemos reverter esta cultura?
R. Sou supeitíssima para falar desse assunto. Mas sem dúvida o caminho é a agricultura orgânica e agroecológica. Especialmente para os agricultores familiares que são que leva o alimento até a mesa do consumidor.

<O governo tem apoiado os pequenos produtores café na Bahia?? por exemplo, o governo do RGS tem apoiado a produção de grãos em assentamentos, e distribuído arroz orgânico nas escolas?
R. O governo federal sim, tem incentivado com programas como o PNAE – Programa Nacional de Alimentação Escolar e o PAA – Programa de Aquisição de Alimentos, mas na Bahia e com relação ao Café ainda sentimos falta de incentivos, de projetos apoiadores e sobretudo de assistência técnica. Falta também crédito para os produtores. Embora existam até algumas linhas de crédito como ABC – Agricultura de Baixo Carbono, os bancos são extremamente burocráticos dificultando o acesso ao crédito.
  

<Como fazer para conscientizar as pessoas da importância dos Orgânicos?
R. Muita propaganda da promoção da saúde; Encontros e Seminários onde produtores e público consumidor pudessem discutir a questão. E sem dúvida o papel dos Chefes de Cozinha em divulgar através de suas ações usando esses produtos. Essas são formas de levar a informação a população de modo geral.


<Acha que ainda somos gastronomicamente falando colonizados, ou melhor já estamos seguros que a nossa culinária é fruto das nossa historia, ou tudo isso é uma tendencia? 
R. Penso que ainda somos colonizados – especialmente os consumidores que acham chic tomar um vinho assim ou assado, mas não sabem pedir ainda um bom café, por exemplo! Promovem jantares, almoços sofisticados e terminam com um cafezinho doce e sem aroma.
No caso do café, penso inclusive que precisamos educar o paladar dos brasileiros para um bom café. Os barristas tem essa função, mas ainda é um universo muito pequeno.

<Esta satisfeita com o crescimento e a busca por um café de melhor qualidade, ou ainda falta muito nesta estrada?
R. Estamos no início da caminhada. Como disse anteriormente é preciso educar o paladar. Temos hoje muitas cafeterias, mas os cafés em algumas, deixa muito a desejar. A qualidade do café passa por um processo longo desde a colheita, pós-colheita, separação dos grãos, uma boa
torrefação (isto é uma ciência), moagem e preparo. Pode ser inclusive o café coado, mas precisa de um bom preparo,  inclusive a temperatura da água.

<Como vê a participação das mulheres no campo, lutando por melhoria de qualidade dos produtos hoje, ou segue sendo um território o masculino?
R. Na cafeicultura começa a ter um fenômeno muito interessante, muitas mulheres estão assumindo as lavouras herdadas de seus pais e/ou maridos por uma questão de sucessão. E essas mulheres estão  se juntando no mundo todo para aprender  a principalmente negociar seus cafés.
Foi criada em 2003 a Internacional Women’s Coffee Alliance – IWCA”, uma aliança internacional das mulheres do café, com subcapítulos nos diversos países produtores. O subcapítulo brasileiro foi criado em 2012 com o objetivo de congregar todas as mulheres da cadeia produtiva do café. De produtoras a barristas, passando pelas torrefadoras. Incentivando a qualidade da bebida do grão à xícara.
É uma iniciativa muito interessante pois com essa aliança hoje as mulheres já tem um assento como observadoras nas reuniões da  OIC – Organização Internacional do Café –
buscando políticas internacionais de preços e valorização dos cafés de modo geral, e dando visibilidade ao trabalho das mulheres de modo particular.
<Que  te faz brilhar os olhos com seu trabalho?
R. Muitas coisas trazem mais brilho aos meus olhos nesta atividade, mas especialmente saber que estou contribuindo para um planeta mais limpo e saudável é sem dúvida minha maior emoção.